O que muda para o e-commerce com a chegada do IVA Dual (Reforma Tributária)

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Introdução: um novo modelo tributário está chegando

O Brasil está implantando um novo modelo de tributação sobre o consumo com a criação do IVA Dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.

Essa mudança representa a substituição de pelo menos cinco tributos atuais — incluindo PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI — por um sistema mais simplificado e alinhado com padrões internacionais. A transição começou em 2026 com alíquotas-teste e vai até 2033.

Para o e-commerce, essa transição não é apenas fiscal — ela envolve instrumentos tecnológicos, fluxo de caixa e redefinição de competitividade.


1. Tributação no destino e fim da guerra fiscal

Uma das principais mudanças trazidas pelo IVA Dual é aplicar o imposto no local onde o produto ou serviço é consumido, e não onde é produzido ou originado.

👉 Para e-commerces que operam em múltiplos estados ou atendem clientes nacionais, isso significa que a tributação será sempre calculada com base no destino final da mercadoria ou serviço — o que altera diretamente a apuração e o compliance nas vendas interestaduais.


2. Aproveitamento de créditos tributários

Sob o novo sistema, o IBS e a CBS serão não cumulativos, o que permite que as empresas creditem o imposto pago sobre insumos e serviços utilizados na cadeia produtiva.

Isso pode trazer vantagem competitiva para quem tem estrutura fiscal mais robusta, pois um e-commerce que consegue gerar e aproveitar créditos tributários pode ter um custo final menor em comparação com quem não faz esse planejamento.


3. Split Payment e impacto financeiro

O modelo de Split Payment previsto na reforma fará com que parte dos tributos seja retida automaticamente no momento do pagamento da transação e direcionada ao Fisco, sem passar pelo caixa da empresa.

Isso altera profundamente o fluxo de caixa do e-commerce, que precisará se preparar para:

  • receber somente o valor líquido das vendas;
  • ajustar preços e margens de acordo;
  • reorganizar capital de giro para manter operações eficientes.

4. Atualização de sistemas e emissão de notas fiscais

A transição para o IVA Dual exige que os e-commerces — inclusive marketplaces — atualizem seus sistemas de gestão empresarial (ERP) e software de emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e) para incluir os novos campos de IBS e CBS.

Essa adaptação tecnológica é essencial para evitar rejeição de notas, problemas de integração fiscal e inconsistências que podem gerar multas ou atrasos na entrega de produtos.


5. Precificação e competitividade no mercado digital

Com a substituição de tributos e a tributação por destino, a maneira de definir preços, fretes e promoções no e-commerce pode mudar:

  • precificar sem considerar corretamente a nova estrutura pode reduzir margens;
  • entender como cada imposto impacta o preço final otimiza conversão de vendas;
  • uso de créditos pode ser um diferencial competitivo.

Além disso, plataformas digitais e marketplaces podem ter responsabilidade solidária pela arrecadação de tributos nas operações que intermediariam, gerando ajustes na estratégia de canais de venda.


❓ FAQ — Perguntas Frequentes

O que é o IVA Dual?
É o novo modelo de imposto sobre consumo no Brasil, composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual/municipal), que começa a ser implementado de forma gradual a partir de 2026.

Quando o novo sistema começa a valer para e-commerce?
O sistema inicia a transição em 2026 com alíquotas de teste, mas a implementação completa ocorrerá até 2033.

Como isso muda a emissão de notas fiscais?
As notas fiscais terão campos específicos para IBS e CBS, exigindo atualização dos sistemas de emissão e integração com ERPs.

O que significa tributação no destino?
Significa que o imposto é devido no local onde o produto ou serviço é entregue ou consumido, alterando a apuração para vendas interestaduais.


Conclusão

A implantação do IVA Dual (IBS e CBS) representa uma das maiores mudanças tributárias no Brasil em décadas, com impactos profundos para o e-commerce. Desde a forma como os impostos são calculados, creditados e pagos até a adaptação tecnológica para emissão de notas fiscais e gestão de fluxo de caixa, os lojistas online precisam se preparar com antecedência para evitar problemas de compliance e manter competitividade no mercado.

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