Foto: Cedric Fauntleroy / Pexels
Num consultório odontológico, o custo de manter o CNPJ tem uma particularidade que a medicina não tem: parte das renovações anuais não é tributária, é sanitária. Para um consultório que fatura R$ 12.000 por mês, a conta fiscal fecha em R$ 20.275,20 por ano — e ela é só uma parte do que se renova todo ano na porta do consultório.
A conta de um consultório odontológico costuma ser subestimada porque quem faz a projeção soma o DAS e para por aí. Só que o DAS, no exemplo desta página, é R$ 8.640,00 dos R$ 20.275,20 anuais. O resto é INSS sobre a sua própria retirada, contabilidade e as obrigações que se renovam por fora.
Vale a distinção logo de saída: esta página é sobre manter, não sobre abrir. A taxa da Junta, o contrato social e o primeiro alvará são custo de uma vez. O que interessa aqui é o que sai do caixa no segundo, no terceiro e no quinto ano.
Resposta rápida
Um consultório odontológico que fatura R$ 12.000 por mês consome R$ 20.275,20 por ano para manter o CNPJ: R$ 8.640,00 de DAS, R$ 4.435,20 de INSS sobre o pró-labore e R$ 7.200,00 de contabilidade — 14,08% do faturamento. A isso se somam a anuidade do CRO da pessoa jurídica, que é fixada por resolução de cada Conselho Regional e varia por estado, e a renovação do alvará sanitário, que é municipal. O maior risco da conta é o Fator R: sem ele, o DAS sobe R$ 13.680,00 por ano.
Quer a conta com o faturamento real do seu consultório, e não com o do exemplo?
Falar com um contadorAs cinco linhas que se repetem todo ano
Um consultório odontológico tem cinco custos recorrentes de estrutura, e eles não são todos da mesma natureza: dois são tributários, um é previdenciário, um é serviço contratado e um é licença. Quem trata os cinco como "impostos" nunca entende por que a conta não bate.
A tabela abaixo mostra quem manda em cada linha — que é o que determina o que você consegue mudar e o que é fixo.
| A linha | Quem paga | O que manda nela |
|---|---|---|
| DAS do Simples Nacional | a empresa | o faturamento dos 12 meses anteriores e o anexo — e o anexo, na odontologia, depende do Fator R |
| INSS sobre o pró-labore | você, como sócio | o valor que você define como retirada. São 11%, recolhidos dentro do DAS |
| Contabilidade mensal | a empresa | o porte, o volume de notas e a quantidade de sócios e funcionários |
| Anuidade do CRO da pessoa jurídica | a empresa | a resolução do Conselho Regional do seu estado — não existe valor nacional |
| Renovação do alvará sanitário | a empresa | a vigilância sanitária do seu município, com periodicidade e taxa locais |
As bases de cada linha: o DAS no art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006; a contribuição do sócio no art. 21 da Lei nº 8.212/1991; o registro da pessoa jurídica no conselho no art. 1º da Lei nº 6.839/1980; e a exigência de licença sanitária para estabelecimentos de interesse da saúde na Lei nº 6.437/1977.
As duas últimas linhas são as que mais surpreendem, porque não chegam por e-mail do contador: chegam por boleto do conselho e por fiscalização da vigilância. E são as duas que mais variam de um estado para outro.
A anuidade do CRO: por que esta página não coloca um número nela
O consultório é obrigado a se registrar no Conselho Regional de Odontologia como pessoa jurídica — a regra está no art. 1º da Lei nº 6.839/1980, que manda registrar a empresa no conselho da sua atividade básica. E o registro da pessoa jurídica é separado do seu registro pessoal: são duas anuidades, não uma.
O que esta página não faz é inventar o valor. A anuidade da PJ no CRO é fixada por resolução de cada Conselho Regional, varia de estado para estado e é revista todo ano. Não existe um número nacional que valha para o seu consultório, e colocar um aqui só serviria para você fazer uma conta errada.
O que dá para dizer com fonte é o critério que os conselhos vêm adotando — e ele muda a sua decisão na abertura. Nos dois conselhos em que conferimos a norma em 18 de setembro de 2026, a anuidade da pessoa jurídica é escalonada por faixa de capital social: no Conselho Federal de Medicina, pela Resolução CFM nº 2.447/2025, ela vai de R$ 948,00 a R$ 7.584,00; no CREF1, pela Resolução nº 144/2025, de R$ 784,00 a R$ 1.569,68.
| O que conferir no CRO do seu estado | Por quê |
|---|---|
| O valor da anuidade da pessoa jurídica | é diferente da sua anuidade pessoal e some da planilha de quem não sabe que existe |
| Se ela é escalonada por faixa de capital social | se for, o número que você escreve no contrato social define essa despesa por anos |
| Se há desconto por pagamento antecipado | é comum nos conselhos, e costuma valer alguns pontos |
| Se cada unidade paga uma anuidade | no CREF, matriz e filial pagam separadamente. Vale conferir antes de abrir a segunda cadeira em outro endereço |
| Quem é o responsável técnico registrado | o registro da PJ depende dele, e a troca tem de ser comunicada |
Critérios conferidos em 18 de setembro de 2026 na Resolução CFM nº 2.447/2025 e na Resolução CREF1 nº 144/2025. O registro obrigatório da pessoa jurídica no conselho da sua atividade básica está no art. 1º da Lei nº 6.839/1980. Os valores do CRO não estão nesta página porque variam por Conselho Regional.
A lição prática é uma só, e ela vale antes da abertura: pergunte o critério da anuidade ao seu CRO antes de definir o capital social. É uma ligação de cinco minutos que pode valer centenas de reais por ano, todos os anos.

O ano inteiro somado, com R$ 12.000 por mês
De onde vêm estes valores
Os números desta página são de um exemplo, montado para a conta fechar de ponta a ponta. Não são de nenhum cliente. As alíquotas e as parcelas a deduzir são as das tabelas em vigor, e cada uma está com a fonte ao lado da tabela. O honorário de R$ 600 por mês é o mesmo nas dez páginas desta série, de propósito: assim a diferença entre um segmento e outro aparece no imposto e na anuidade, e não no preço do contador. A sua empresa tem outros números — a conta só vale refeita com eles.
O exemplo é um consultório com um dentista sócio, sem funcionário, faturando R$ 12.000 por mês — R$ 144.000 no ano. Está no Simples Nacional, no Anexo III, porque o pró-labore de R$ 3.360,00 fecha os 28% de Fator R.
A anuidade do CRO e o alvará sanitário não entram nesta tabela, porque variam por estado e por município. Eles existem, e a seção seguinte trata deles.
| O que sai do caixa | Por mês | No ano |
|---|---|---|
| DAS do Simples Nacional — 6,00% de alíquota efetiva | R$ 720,00 | R$ 8.640,00 |
| INSS de 11% sobre o pró-labore de R$ 3.360,00 | R$ 369,60 | R$ 4.435,20 |
| Contabilidade mensal (exemplo) | R$ 600,00 | R$ 7.200,00 |
| O que o CNPJ consome | R$ 1.689,60 | R$ 20.275,20 |
| O mesmo número, em % do faturamento | — | 14,08% |
A alíquota efetiva sai do Anexo III da Lei Complementar nº 123/2006, na faixa de RBT12 até R$ 180.000,00. A contribuição de 11% do sócio está no art. 21 da Lei nº 8.212/1991, recolhida dentro do DAS.
São R$ 20.275,20 por ano, ou 14,08% do faturamento, contando só o que é tributário e contábil. O DAS é R$ 8.640,00 disso — menos da metade.
O que se renova todo ano e não é imposto
Aqui está a diferença do consultório odontológico para quase todo outro segmento: além do calendário fiscal, ele tem um calendário sanitário. E a fiscalização dele não é a Receita — é a vigilância sanitária do município, que pode interditar o estabelecimento.
O alvará sanitário é exigência para estabelecimentos de interesse da saúde, e a Lei nº 6.437/1977 é a norma que define as infrações sanitárias e as penalidades, que vão de advertência a interdição. A periodicidade da renovação e o valor da taxa são definidos por cada município — não há regra nacional.
Se o consultório tem equipamento de raio X, há uma camada a mais: o serviço de radiologia odontológica precisa de licença sanitária específica e de responsável técnico, e a vigilância estadual ou municipal é quem concede. Confira as exigências na vigilância da sua cidade antes de instalar o equipamento — a licença costuma ser condição para o alvará do consultório inteiro.
| A renovação | Quem fiscaliza | O que acontece se vencer |
|---|---|---|
| Alvará sanitário do consultório | vigilância sanitária municipal | infração sanitária, com penalidades que vão de advertência a interdição (Lei nº 6.437/1977) |
| Registro da PJ no CRO | Conselho Regional de Odontologia | irregularidade no registro da empresa, que é obrigatório pelo art. 1º da Lei nº 6.839/1980 |
| Licença do equipamento de raio X | vigilância sanitária estadual ou municipal | o equipamento não pode operar, e isso costuma travar o alvará do consultório |
| Alvará de funcionamento municipal | prefeitura | taxa e multa municipais, variáveis por cidade |
| Contrato de descarte de resíduos de saúde | vigilância sanitária | é item de checagem na fiscalização do alvará sanitário |
A Lei nº 6.437/1977 configura as infrações à legislação sanitária federal e as respectivas penalidades. As taxas, a periodicidade e a documentação de cada licença são definidas pelo município e pelo estado, e por isso não há valor nacional a citar.
Nenhum desses itens é caro isoladamente. O que custa caro é o consultório parado porque um deles venceu — e isso acontece com frequência, porque não existe um único lugar que avise sobre todos.
Quer o calendário do seu consultório organizado num lugar só?
Falar com um contadorO mesmo consultório em três tamanhos
A proporção do custo não é constante: o consultório pequeno carrega o mesmo custo fixo do grande, e sente muito mais. A tabela abaixo é o mesmo consultório em três faturamentos, com o Fator R fechado nos três.
| A conta | R$ 6.000 por mês | R$ 12.000 por mês | R$ 25.000 por mês |
|---|---|---|---|
| Faturamento no ano | R$ 72.000 | R$ 144.000 | R$ 300.000 |
| Alíquota efetiva do Anexo III | 6,00% | 6,00% | 8,08% |
| DAS no mês | R$ 360,00 | R$ 720,00 | R$ 2.020,00 |
| Pró-labore do exemplo | R$ 1.680,00 | R$ 3.360,00 | R$ 7.000,00 |
| INSS de 11% sobre ele | R$ 184,80 | R$ 369,60 | R$ 770,00 |
| Contabilidade no mês | R$ 600,00 | R$ 600,00 | R$ 600,00 |
| Total no ano | R$ 13.737,60 | R$ 20.275,20 | R$ 40.680,00 |
| Quanto isso é do faturamento | 19,08% | 14,08% | 13,56% |
Todas as colunas usam o Anexo III da Lei Complementar nº 123/2006, com o RBT12 igual a doze vezes o faturamento mensal. O pró-labore de cada coluna é o que fecha os 28% do Fator R naquele faturamento. A anuidade do CRO e o alvará não estão aqui porque variam por estado e município.
A leitura que importa é a da última linha. O peso do CNPJ cai conforme o consultório cresce, porque a contabilidade é fixa e o DAS é proporcional. Quem está começando paga, proporcionalmente, o CNPJ mais caro.

O que essa conta não inclui — e por que isso importa
Os R$ 20.275,20 da tabela são o custo do CNPJ, não o custo do consultório. A operação tem contas que variam demais para caber numa tabela nacional — e no consultório odontológico elas pesam mais do que na média, porque há equipamento.
Fora da conta acima
- Manutenção e calibração de equipamento. Cadeira, autoclave, compressor e raio X têm manutenção periódica, e a autoclave tem validação.
- Material de consumo e prótese. A prótese contratada de laboratório é um custo que anda junto com o faturamento, e entra na margem, não na estrutura.
- Descarte de resíduos de serviço de saúde. É contrato mensal com empresa licenciada, e é item de fiscalização.
- Funcionário. Auxiliar de saúde bucal ou recepcionista: salário, férias, 13º, FGTS e encargos. No Anexo III o INSS patronal está dentro do DAS; o resto não está.
- Aluguel, água, luz e internet.
- A sua anuidade pessoal no CRO. É sua, não da empresa, e continua existindo.
- Sistema de prontuário e agenda.
Quando alguém pergunta "quanto custa manter um consultório", costuma estar perguntando por tudo isso junto. Esta página responde a parte que é padronizável — e deixa claro qual parte não é.
As entregas do ano, e o que custa esquecer cada uma
A conta ainda tem uma categoria que só existe quando alguém falha: as multas por obrigação não entregue. São valores baixos vistos um a um, e ruins quando se acumulam sem ninguém notar.
| A entrega | Quando | Se não entregar |
|---|---|---|
| PGDAS-D | todo mês, até o dia 20 | multa mínima de R$ 50,00 por mês de referência, mesmo sem faturamento |
| DEFIS | uma vez por ano, até 31 de março | multa mínima de R$ 200,00 |
| Escrituração contábil | ao longo do ano | sem ela, a distribuição de lucro isenta fica sem lastro |
| Declaração do IRPF do sócio | até 31 de maio | multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, mínimo de R$ 165,74 |
Os valores mínimos de multa estão no art. 38 (declarações anuais) e no art. 38-A (PGDAS-D) da Lei Complementar nº 123/2006. O prazo da DEFIS e da DASN-SIMEI é o do art. 72 da Resolução CGSN nº 140/2018.
A terceira linha é a que mais custa caro na odontologia, e é a menos comentada. A distribuição de lucros só é isenta de imposto de renda se houver escrituração contábil regular demonstrando o lucro. Sem ela, a isenção fica limitada à presunção, e o que passar disso vira rendimento tributável na sua declaração.
Os cinco erros que fazem a conta do consultório sair maior
O que mais custa caro
- Pró-labore no mínimo. Economiza 11% de INSS sobre a diferença e joga o consultório no Anexo V, onde a alíquota mais que dobra. É R$ 13.680,00 por ano no exemplo desta página.
- Definir o capital social sem perguntar o critério da anuidade ao CRO. Nos conselhos em que a regra foi conferida, a anuidade da PJ é escalonada por faixa de capital.
- Esquecer que a PJ tem registro próprio no conselho. O seu registro pessoal não cobre a empresa.
- Deixar o alvará sanitário vencer. É o único item desta lista que pode fechar a porta do consultório.
- Misturar a conta do consultório com a conta pessoal. Destrói a escrituração, e com ela a isenção da distribuição de lucros.
Os cinco são decisão, não mercado. E todos se corrigem — alguns no mês seguinte, outros na virada do ano.
O calendário do ano, numa lista só
O que fica no seu radar
- Todo mês, até o dia 20: apurar o PGDAS-D e pagar o DAS.
- Todo mês: registrar o pró-labore em folha e conferir se o Fator R dos últimos doze meses segue acima de 28%.
- Janeiro: conferir o boleto da anuidade do CRO da empresa e o da sua anuidade pessoal.
- Até 31 de março: entregar a DEFIS do ano anterior.
- Até 31 de maio: entregar o IRPF, com a distribuição de lucros lastreada na escrituração.
- Na data de validade: renovar o alvará sanitário e o alvará de funcionamento.
- Anualmente: conferir a licença do equipamento de raio X e o contrato de descarte de resíduos.
O resumo
Manter o CNPJ de um consultório odontológico que fatura R$ 12.000 por mês custa R$ 20.275,20 por ano na parte tributária e contábil — 14,08% do faturamento. Por fora ficam a anuidade do CRO da pessoa jurídica e as renovações sanitárias, que variam por estado e por município.
Duas decisões mudam esse número mais do que qualquer outra. A primeira é o pró-labore, que define o anexo e vale R$ 13.680,00 por ano de diferença no DAS. A segunda é o capital social, que em vários conselhos define a faixa da anuidade da empresa pelos anos seguintes.
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Falar com um contadorPerguntas frequentes
Quanto custa manter o CNPJ de um consultório odontológico por ano?
O consultório precisa de registro próprio no CRO?
Qual o valor da anuidade do CRO para pessoa jurídica?
Dentista pode ser MEI?
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