Psicólogo anotando durante a sessão enquanto a paciente, de costas, fala em uma sala com poltronas e plantas.

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Se alguém já te disse que "psicologia é Anexo V", peça o dispositivo. Provavelmente virá o art. 18, § 5º-I, IV da Lei Complementar 123/2006 — e esse inciso foi revogado pela LC 155/2016.

Hoje a psicologia está no art. 18, § 5º-B, XXI, junto com psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia e clínicas de nutrição. E o § 5º-B é a lista do Anexo III. Ou seja: o consultório de psicologia começa no anexo mais barato, e o Fator R serve para tirá-lo de lá — não para colocá-lo.

Resposta rápida

Anexo III. A psicologia está no art. 18, § 5º-B, XXI da LC 123/2006, que é a lista do Anexo III. O consultório só vai para o Anexo V se o Fator R — folha dos últimos doze meses dividida pela receita do mesmo período — ficar abaixo de 28%. Atenção a um ponto: o inciso IV do § 5º-I, que colocava a psicologia no Anexo V, foi revogado pela LC 155/2016 e ainda aparece em muito texto na internet.

O inciso revogado que ainda circula

Até 2017, a Lei Complementar 123/2006 tinha um Anexo VI, e o art. 18, § 5º-I listava as atividades que iam para lá. O inciso IV desse parágrafo tratava de "medicina, inclusive laboratorial, e enfermagem; ... psicologia, psicanálise..." e afins.

A LC 155/2016 extinguiu o Anexo VI e reorganizou tudo. Nessa reforma, o inciso IV do § 5º-I foi revogado e essas profissões foram realocadas para o § 5º-B — a lista do Anexo III.

Como identificar um texto desatualizado

  • Cita o Anexo VI do Simples Nacional. Ele não existe mais.
  • Cita o art. 18, § 5º-I, IV para justificar Anexo V em psicologia. Revogado.
  • Diz que a psicologia "sobe para o Anexo III com o Fator R". A direção é o contrário: ela está no III e cai para o V.

Isso não é preciosismo. Quem entende a direção errada faz o planejamento errado — e planeja aumentar pró-labore para "conquistar" um anexo que já é seu, ou corta o pró-labore sem perceber que está entregando o anexo.

Onde a psicologia está hoje

O art. 18, § 5º-B, XXI da LC 123/2006 lista, em um único inciso: psicologia, psicanálise, terapia ocupacional, acupuntura, podologia, fonoaudiologia, clínicas de nutrição e de vacinação e bancos de leite. Todas no Anexo III.

O § 5º-M completa: essas atividades vão para o Anexo V quando a relação entre folha e receita dos últimos doze meses fica abaixo de 28%.

Resumindo em uma frase

O consultório de psicologia nasce no Anexo III. O Fator R é a porta de saída, não a de entrada.

Por que o consultório de psicologia é o mais exposto

Entre as profissões de saúde, a psicologia tem um perfil de negócio que empurra o Fator R para baixo com facilidade — e vale entender por quê:

  • Custo de estrutura baixo. Uma sala, uma agenda e você. Sem equipamento caro, sem equipe de apoio obrigatória, muitas vezes sem nenhum funcionário. A folha tende a ser só o seu pró-labore.
  • Atendimento online multiplicou a receita sem multiplicar a estrutura. Dá para atender mais gente, de mais lugares, sem contratar ninguém. Ótimo para o negócio, péssimo para o Fator R se o pró-labore ficar parado.
  • Receita que cresce em degraus. Reajustou a sessão, ampliou a agenda, entrou em um convênio: o denominador sobe de uma vez, e o numerador não acompanha sozinho.

O resultado é o consultório que fica melhor a cada ano e, sem mudar nada de propósito, atravessa a linha dos 28% para baixo.

Psicóloga sentada perto da janela anotando em uma prancheta durante o atendimento.
Foto: Alex Green / Pexels

A conta, com números de consultório

A alíquota efetiva sai de (receita dos 12 meses × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ receita dos 12 meses. Em três tamanhos comuns de consultório:

Cálculo da Hopecont sobre as tabelas dos Anexos III e V da LC 123/2006. O valor real depende da sua receita e da composição da sua folha.

Receita em 12 mesesAnexo IIIAnexo VDiferença no ano
R$ 120.000 (R$ 10 mil/mês)6,00%15,50%R$ 11.400
R$ 180.000 (R$ 15 mil/mês)6,00%15,50%R$ 17.100
R$ 300.000 (R$ 25 mil/mês)8,08%16,50%R$ 25.260

Num consultório de R$ 15 mil por mês, a diferença entre estar de um lado ou do outro dos 28% passa de R$ 17 mil no ano — mais de um mês de faturamento.

O pró-labore de quem atende sozinho

Se você não tem funcionário, a folha do Fator R é praticamente só a sua retirada de pró-labore. Para alcançar 28% de uma receita de R$ 180 mil em doze meses, a folha do período precisa ficar em torno de R$ 50 mil — algo como R$ 4,2 mil por mês, somando pró-labore e encargos.

Há um detalhe estrutural que faz essa alavanca funcionar bem no Simples: no Anexo III a contribuição previdenciária patronal já está dentro do DAS. Aumentar o pró-labore não cria uma contribuição patronal nova por fora. O que incide é a contribuição previdenciária do próprio sócio, retida pela empresa, e o imposto de renda na fonte pela tabela progressiva.

Não é conta de uma ponta só

Pró-labore é custo certo todo mês e rendimento tributável na sua declaração de pessoa física; a distribuição de lucros tem tratamento próprio. A decisão boa compara o que você economiza de DAS com o que você paga a mais de INSS e IRPF. Em consultório pequeno essa conta costuma fechar bem; em consultório com receita muito alta e sócio único, nem sempre. É simulação, não regra geral.

Clínica com vários psicólogos

Quando o consultório vira clínica, aparece a mesma decisão de sempre: os profissionais entram como empregados, como sócios ou como PJ contratada. Só que aqui ela tem um efeito tributário extra.

Elaboração da Hopecont. O formato de contratação também tem consequências trabalhistas próprias, avaliadas à parte.

FormatoEntra na folha do Fator R?Efeito no anexo
Psicólogo com carteira assinadaSim — salário e encargosEmpurra o Fator R para cima
Psicólogo sócio com pró-laboreSim — a retiradaEmpurra para cima
Psicólogo contratado como PJNãoReceita sobe, folha fica parada
Aluguel de sala por sessãoNão — é despesa, não folhaDepende de como a receita é reconhecida

A última linha merece atenção: em clínicas que funcionam por aluguel de sala, o que é receita da clínica e o que é receita do profissional precisa estar claro no contrato e na emissão da nota. Isso muda o denominador do Fator R e, antes disso, muda quem deve o imposto.

Confira o seu em cinco minutos

  • Some a receita bruta dos últimos doze meses;
  • Some pró-labore, salários e encargos do mesmo período;
  • Divida a segunda pela primeira;
  • 28% ou mais: Anexo III. Abaixo: Anexo V;
  • Entre 28% e 32%: zona de risco — um semestre bom de agenda derruba.
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As seis faixas do Simples, com a alíquota efetiva de cada uma

A maior parte dos consultórios de psicologia vive na primeira faixa, e por isso a comparação mais citada é a de 6,00% contra 15,50%. Quem cresce, monta equipe ou abre uma segunda unidade precisa das outras cinco.

São estas, com a efetiva calculada no topo de cada faixa:

A faixa de RBT12Anexo IIIAnexo VDiferençaEm reais, no mês
até R$ 180.0006,00%15,50%9,50 pontosR$ 1.425,00
de R$ 180.000 a R$ 360.0008,60%16,75%8,15 pontosR$ 2.445,00
de R$ 360.000 a R$ 720.00011,05%18,12%7,07 pontosR$ 4.245,00
de R$ 720.000 a R$ 1.800.00014,02%19,55%5,53 pontosR$ 8.295,00
de R$ 1.800.000 a R$ 3.600.00017,51%21,27%3,76 pontosR$ 11.295,00
de R$ 3.600.000 a R$ 4.800.00019,50%19,25%-0,25 pontosR$ -1.000,00

Alíquotas nominais e parcelas a deduzir dos Anexos III e V da Lei Complementar nº 123/2006. A efetiva de cada faixa foi calculada no topo dela — (RBT12 × alíquota − parcela a deduzir) ÷ RBT12 — e a coluna em reais usa o faturamento mensal de referência daquela faixa. Conferido no texto do Planalto em 20 de setembro de 2026. Atenção à 6ª faixa: nela o DAS não inclui ISS — acima do sublimite de R$ 3.600.000,00 o imposto sai do Simples e vai direto ao Município (LC 123/2006, art. 19, § 4º, e art. 20, §§ 1º e 3º), e a tabela de repartição do Anexo III confirma: a 6ª faixa não tem linha de ISS. A efetiva dela, portanto, não é a conta inteira.

A distância entre os anexos encolhe a cada faixa — de 9,50 pontos para 3,76 pontos da primeira à quinta — e na sexta ela se inverte, acima de RBT12 de R$ 4.320.000. A regra geral do Fator R está em Fator R: você paga Anexo III ou Anexo V?.

Quanto sobra de verdade: a conta líquida, faixa por faixa

Falta a metade da conta que quase nenhum texto faz: o pró-labore que segura o Anexo III também custa. Num consultório de psicologia sem funcionário, na primeira faixa sobram R$ 1.141 por mês — R$ 13.696 no ano. Na terceira faixa sobram R$ 36 e a escada acaba ali.

Cálculo da Hopecont, na hipótese mais comum do consultório de psicologia: você sozinha ou sozinho, sem funcionário, com a folha do Fator R igual ao pró-labore. RBT12 no topo de cada faixa. A conta compara a retirada no piso previdenciário de R$ 1.621,00 com a que alcança os 28%. Incidem 11% de INSS, limitados ao teto de R$ 8.475,55 (Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09/01/2026), e o imposto de renda da tabela mensal de 2026 da Receita Federal, com a redução da Lei 15.270/2025.

A faixa de RBT12Receita no mêsPró-labore que fecha os 28%Economia no DASINSS + IRPF a maisSobra no mês
até R$ 180.000R$ 15.000R$ 4.200R$ 1.425R$ 284R$ 1.141
de R$ 180.000 a R$ 360.000R$ 30.000R$ 8.400R$ 2.445R$ 1.893R$ 552
de R$ 360.000 a R$ 720.000R$ 60.000R$ 16.800R$ 4.245R$ 4.209R$ 36
de R$ 720.000 a R$ 1.800.000R$ 150.000R$ 42.000R$ 8.295R$ 11.139−R$ 2.844
de R$ 1.800.000 a R$ 3.600.000R$ 300.000R$ 84.000R$ 11.295R$ 22.689−R$ 11.394
de R$ 3.600.000 a R$ 4.800.000R$ 400.000R$ 112.000−R$ 1.000R$ 30.389−R$ 31.389

A psicologia é o caso em que essa tabela mais funciona, e a razão é simples: a maior parte dos consultórios vive na primeira faixa, até R$ 15 mil por mês. É exatamente a linha em que a conta é mais generosa. R$ 4.200 de pró-labore por mês custam R$ 284 a mais do que a retirada no piso, e seguram uma economia de R$ 1.425 no DAS.

A regra de 2026 que fez essa conta ficar boa

Até o ano passado a tabela acima seria bem menos convidativa. O que mudou: desde janeiro de 2026 existe uma redução que zera o imposto de renda mensal até R$ 5.000,00 de rendimento tributável e vai encolhendo até sumir em R$ 7.350,00 (art. 3º-A da Lei 9.250/1995, incluído pela Lei 15.270/2025). Como o pró-labore da primeira faixa é de R$ 4.200,00, ele passa inteiro por baixo dessa linha — e o único custo que resta é o INSS.

Pessoa em atendimento por videochamada no notebook, sobre uma mesa clara.
Foto: Edward Jenner / Pexels

O teto do INSS e o que acontece depois dele

A contribuição previdenciária do sócio só incide até R$ 8.475,55 em 2026 — passou disso, são R$ 932,31 fixos por mês. O imposto de renda não tem teto e vai até 27,5%. Num consultório que já passou dos R$ 30 mil por mês, é o imposto de renda, e não o INSS, que decide se a conta ainda fecha.

O consultório que cresce com o atendimento online

O risco que esta página descreveu lá em cima — receita que cresce sem estrutura crescer junto — tem um efeito a mais quando se olha a última coluna. Ao passar da primeira para a segunda faixa, o pró-labore necessário dobra, de R$ 4.200 para R$ 8.400. E, cruzando os R$ 5.000, o imposto de renda deixa de ser zero. A sobra cai de R$ 1.141 para R$ 552 por mês sem que nada de errado tenha acontecido: a agenda só encheu.

Daí em diante, o caminho de quem quer continuar no Anexo III passa por ter gente registrada — secretaria, recepção, outro psicólogo com carteira — e não por engordar a retirada. É o assunto da seção sobre a clínica com vários psicólogos, logo acima.

Quem resolve isso na prática: contabilidade para psicólogos e a calculadora de Fator R.

Equipe Hopecont

Conteúdo produzido e revisado pelos contadores da Hopecont Contabilidade Estratégica, escritório no Jereissati I, em Maracanaú/CE, com atendimento em todo o Brasil. Conteúdo baseado na LC 123/2006, art. 18, § 5º-B, XXI, § 5º-K e § 5º-M, na revogação do § 5º-I, IV pela LC 155/2016, e nas tabelas dos Anexos III e V da mesma lei. Verificado em 4 de setembro de 2026.

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Perguntas frequentes

Psicólogo paga Anexo III ou Anexo V?

Anexo III, por regra — a psicologia está no art. 18, § 5º-B, XXI da LC 123/2006. Só vai para o Anexo V se o Fator R ficar abaixo de 28% (§ 5º-M).

É verdade que a psicologia está no Anexo V pelo § 5º-I, IV?

Não. O § 5º-I, IV foi revogado pela LC 155/2016, na reforma que extinguiu o Anexo VI. Quem cita hoje está usando texto que saiu da lei — a psicologia está no § 5º-B, XXI, do Anexo III.

Consultório de psicologia sem funcionário consegue ficar no Anexo III?

Sim. A folha do Fator R inclui as retiradas de pró-labore, não só salário. Se compensa é uma comparação entre a economia no DAS e o custo de INSS e IRPF na pessoa física.

Quanto o psicólogo paga a mais no Anexo V?

Na primeira faixa, de 6,00% para 15,50%. Num consultório de R$ 15 mil por mês, isso dá cerca de R$ 17,1 mil a mais no ano.

Atendimento online muda o anexo do consultório?

Não por si só — o anexo segue a atividade, não o meio. Mas o online aumenta receita sem aumentar estrutura, e é esse movimento que derruba o Fator R.

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