Tecnologia

CNPJ ou CPF para desenvolvedor: a conta antes de virar PJ

Equipe Hopecont Atualizado em 10 de setembro de 2026 14 min de leitura
Desenvolvedora de costas em frente a um monitor com código aberto e um notebook ao lado

Foto: ThisIsEngineering / Pexels

Nota 5,0 no Google · 242 avaliações

A proposta chegou com a frase de sempre: “a gente contrata PJ”. E aí vem a pergunta que ninguém responde direito: compensa?

A resposta honesta é que não existe obrigação de ter CNPJ para programar. O que existe é um ponto em que a pessoa física fica cara, ou fica pequena — e esse ponto muda conforme quem paga você, quantos clientes você tem e o que você entrega. Aqui está a conta dos dois lados, com as regras que valem em 2026.

Resposta rápida

Desenvolvedor não é obrigado a abrir CNPJ. Dá para atuar como pessoa física, recolhendo carnê-leão quando o cliente é pessoa física, com retenção na fonte quando quem paga é empresa, mais o INSS de contribuinte individual e o ISS do município. O CNPJ costuma entrar quando aparece um destes: receita recorrente, empresa que só paga contra nota fiscal, vários clientes, cliente no exterior, ou a intenção de contratar e montar estrutura. Três coisas para tirar do caminho antes de qualquer conta: o MEI está fora — programador, desenvolvedor e software não aparecem na lista oficial, e há vedação expressa para empresa constituída como startup; CNPJ não significa automaticamente pagar menos; e PJ não é CLT com outro nome, porque a comparação honesta inclui 13º, férias, FGTS e risco.

Antes de aceitar a proposta de PJ, vale ver a conta dos dois lados com os seus números. A gente compara o cenário de pessoa física, o de CLT e o de empresa — veja também a contabilidade para desenvolvedor de software.

Falar com um contador

Desenvolvedor pode trabalhar como pessoa física?

Pode. Nenhuma norma exige empresa para programar. Diferente de médico, dentista ou educador físico, não há conselho profissional que condicione o exercício da atividade a registro.

Como pessoa física, você tem três frentes independentes:

As cinco travas do CPF

  • A empresa só paga contra nota fiscal. É o motivo número um. Pessoa física não emite nota fiscal de serviço, e o cliente PJ precisa do documento para escriturar a despesa.
  • Contrato de recorrência. Sustentação, SaaS, retainer mensal — quase sempre exigem CNPJ do outro lado.
  • Cliente no exterior. Receber por serviço prestado a empresa estrangeira tem exigências próprias de câmbio e documentação.
  • Terceirizar parte da entrega. Contratar outro dev, designer ou infra, na pessoa física, é caro e complicado.
  • Separar o dinheiro. No CPF, o caixa do trabalho e a conta pessoal são a mesma coisa.

CPF, MEI ou empresa: as 12 linhas que decidem

 Só no CPFComo MEIComo empresa
Quem presta o serviçoVocê, pessoa físicaA empresa
Desenvolvimento de software entra?SimNão — não consta da listaSim
Base do impostoSua renda, na tabela progressiva do IRPFA receita bruta, pelo anexo do Simples
RecolhimentoCarnê-leão ou retenção na fonteDAS mensal sobre a receita
Alíquota7,5% a 27,5% sobre a baseDepende do CNAE, do anexo e da faixa
Teto de faturamentoNão háR$ 81.000,00 por anoR$ 4,8 milhões no Simples
PrevidênciaContribuinte individual: 20% ou 11%INSS sobre o pró-labore
Nota fiscal para empresaNão emiteEmite
Cliente no exteriorMuito difícil de operacionalizarFormato usual do mercado
Contratar ou terceirizarPossível, mas pesadoFolha da empresa, e ela conta no Fator R
DespesasLivro-caixa, nos limites do RIR/2018Despesas da empresa
Custo fixoPraticamente nenhumHonorários contábeis, certificado digital, taxas

As 12 linhas que precisam entrar na comparação. A coluna do MEI está vazia de propósito — a próxima seção explica.

Desenvolvedor pode ser MEI?

Não. E a lista oficial prega uma peça aqui: informática está lá dentro — só que é outra informática.

O MEI funciona por autorização, não por proibição: existe uma lista fechada, o Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, com 426 ocupações. O que existe de informática nela é:

Ocupação na listaCNAEO que é
Técnico(a) de manutenção de computador independente9511-8/00Conserto
Instrutor(a) de informática independente8599-6/03Aula
Comerciante de equipamentos e suprimentos de informática independente4751-2/01Venda de produto

Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018. As palavras “programador”, “desenvolvedor” e “software” não aparecem em nenhuma das 426 ocupações.

E existe uma segunda vedação, específica do seu setor: o art. 18-A, § 4º, V da LC 123/2006, incluído pela LC 167/2019, diz que não pode optar pelo SIMEI a empresa constituída na forma de startup. Mesmo que a atividade estivesse na lista, a empresa que se constitui como startup está fora por disposição expressa.

O detalhamento — por que abrir como “técnico” ou “instrutor” não resolve, e o que fazer para quem já abriu — está em desenvolvedor pode ser MEI?.

Quatro palavras que não são sinônimos

  • MEI é um enquadramento simplificado, com teto de R$ 81 mil por ano e lista fechada de ocupações.
  • ME e EPP são portes, definidos pelo faturamento anual. ME não é regime tributário.
  • SLU e LTDA são naturezas jurídicas. Para quem programa sozinho, a SLU é o formato mais usado: não exige sócio e separa o patrimônio pessoal do da empresa.
  • Simples Nacional é um regime tributário, ao qual a empresa pode optar se atender aos requisitos. Não é natureza jurídica.

Qual CNAE usar: 6201-5/01, 6204-0/00 e os outros

Aqui está a parte que mais decide dinheiro em TI — e a que mais gente erra, porque escolhe o código pelo cargo em vez de escolher pela entrega.

CNAEDenominação oficialQuando é este
6201-5/01Desenvolvimento de programas de computador sob encomendaVocê desenvolve para o cliente, sob especificação dele: definição de módulos, especificação funcional, programação, documentação, modelagem de banco por projeto
6202-3/00Desenvolvimento e licenciamento de programas customizáveisVocê tem um produto seu, que é adaptado a cada cliente
6203-1/00Desenvolvimento e licenciamento de programas não customizáveisVocê tem um produto seu, entregue igual para todo mundo
6204-0/00Consultoria em tecnologia da informaçãoAnálise de necessidades, assessoria de hardware e software, gerenciamento de projeto, integração de sistemas, manutenção de site e customização de programas customizáveis
6201-5/02Web designCriação de páginas — e a própria nota do 6201-5/01 manda web design para cá

Fonte: notas explicativas das subclasses 6201-5/01 e 6204-0/00, CNAE — IBGE/CONCLA. Consultado em 10 de setembro de 2026.

Repare no detalhe: as notas explicativas do 6201-5/01 excluem expressamente web design (6201-5/02), software customizável (6202-3/00), software não customizável (6203-1/00) e customização (6204-0/00). Não é interpretação — está escrito.

Software sob encomenda não é software próprio

Esta é a distinção que muda o negócio inteiro, e ela quase nunca é feita na hora de abrir a empresa.

 Software sob encomendaSoftware próprio / SaaS
O que você vendeHoras e entrega de um sistema do clienteAcesso ou licença de um produto seu
De quem é o códigoEm regra do cliente, conforme o contratoSeu
Como entra a receitaPor projeto ou por escopoAssinatura, licença, recorrência
CNAE típico6201-5/016202-3/00 ou 6203-1/00, conforme seja customizável ou não
O que muda na práticaContrato de prestação, cessão de direitos, aceiteTermos de uso, licenciamento, propriedade intelectual, base de assinantes

Elaboração da Hopecont a partir das notas explicativas da CNAE. O enquadramento de cada receita deve ser confirmado caso a caso.

Por que isso importa para a decisão CPF × CNPJ: quem presta serviço sob encomenda pode, tecnicamente, faturar como pessoa física enquanto o cliente aceitar. Quem tem produto próprio, não. Licenciar software, cobrar assinatura e manter uma base de clientes é operação de empresa — a pessoa física não dá conta disso nem contratualmente nem fiscalmente. Se você está construindo um produto, a pergunta não é mais “compensa abrir CNPJ”. É “qual estrutura o produto exige”.

Desenvolvedor freelancer não é startup

O jargão do mercado mistura os dois, e a lei não mistura.

A LC 182/2021, art. 4º define startup como organização empresarial ou societária, nascente ou em operação recente, cuja atuação se caracteriza pela inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos ou serviços. Os requisitos são receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior e até 10 anos de inscrição no CNPJ, mais a declaração de modelo de negócios inovador nos atos constitutivos ou o enquadramento no Inova Simples.

Ou seja: ser desenvolvedor com CNPJ não faz de você uma startup, e uma startup pode não ter nenhum desenvolvedor PJ. Uma startup pode faturar por SaaS, licenciamento, marketplace, plataforma, assinatura ou prestação de serviço — e cada modelo leva a um CNAE e a uma tributação diferentes. É a atividade real que orienta, não o rótulo. Quem está montando uma, comece por abrir startup.

O que os clientes dizem no Google★★★★★ 5,0 · 242 avaliações
"As meninas da Hopecont são atenciosas e técnicas. Entenderam exatamente o que eu precisava. Recomendo!"Rayssa RibeiroAvaliação no Google
"Atendimento humanizado e muito profissional. Sempre prontos para ajudar. Estão de parabéns!"Narcelia MarquesAvaliação no Google
"Abri minha empresa 100% online e sem stress. Recomendo demais."Cliente HopecontAvaliação no Google

E como empresa, quanto se paga?

Não existe uma alíquota para “desenvolvedor”. Quem tem empresa e atende aos requisitos pode optar pelo Simples Nacional, e o que se paga depende de três coisas, nesta ordem: o enquadramento da atividade, o anexo que decorre disso e a faixa, que sobe conforme a receita acumulada dos últimos doze meses. O “6%” que circula é a alíquota nominal da primeira faixa do Anexo III. Não é o que a maioria paga.

O Fator R anda em duas direções no seu setor

Este é o ponto mais mal entendido de TI, e vale ler devagar porque as duas metades da mesma empresa podem andar em sentidos opostos.

AtividadeDispositivoOnde nascePara onde vai com os 28%
Elaboração de programas, licenciamento ou cessão de uso, planejamento e manutenção de páginas eletrônicasart. 18, § 5º-DAnexo IIICai para o Anexo V se a folha ficar abaixo de 28%
Consultoria, auditoria, economia, gestão, organização, controle e administraçãoart. 18, § 5º-I, IXAnexo VSobe para o Anexo III quando a folha alcança 28% (§ 5º-J)

LC 123/2006, art. 18, §§ 5º-D, 5º-I, IX, 5º-J e 5º-M. Consultado em 10 de setembro de 2026.

Para quem desenvolve, o Fator R é um piso que pode ceder. Para quem faz consultoria, é uma escada para subir. Na primeira faixa, a diferença entre os dois anexos é de 6,00% para 15,50% — sobre todo o faturamento, não sobre a folha.

A armadilha do dev que trabalha sozinho

Sem funcionário e sem pró-labore definido, a folha fica perto de zero, o Fator R não chega aos 28% e a empresa vai para o Anexo V. Como o cálculo olha os doze meses anteriores, quem só percebe no recálculo paga a diferença acumulada.

A explicação completa está em consultoria paga Anexo V ou Anexo III?, e para medir o seu caso há a calculadora de Fator R.

Pró-labore não é botão de economia

O pró-labore é rendimento tributável na sua declaração de pessoa física e tem INSS em cima. Existe um ponto em que o que se economiza no DAS é menor do que o que se paga a mais de INSS e IRPF. A comparação certa não é “quanto de folha eu preciso” contra “quanto eu economizo” — é como esse dinheiro sai da empresa: como distribuição de lucros ou como pró-labore. Num dev sozinho, ele já ia sair de qualquer jeito. O detalhamento está em pró-labore ideal: quanto retirar.

Quanto se paga hoje, no CPF

Carnê-leão: a tabela de 2026

Base de cálculo mensal (R$)AlíquotaParcela a deduzir (R$)
Até 2.428,80Isento
De 2.428,81 a 2.826,657,5%182,16
De 2.826,66 a 3.751,0515,0%394,16
De 3.751,06 a 4.664,6822,5%675,49
Acima de 4.664,6827,5%908,73

Tabela progressiva mensal do IRPF 2026. Fonte: Receita Federal, Lei 15.191/2025. Consultado em 10 de setembro de 2026.

Desde janeiro de 2026 há também uma redução do imposto sobre os rendimentos tributáveis mensais: até R$ 5.000,00 ela zera o imposto; entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 encolhe até acabar; acima de R$ 7.350,00 não há redução (Lei 15.270/2025).

INSS: 20% ou 11%

SituaçãoAlíquotaSobre o quêQuanto dá em 2026
Contribuinte individual, plano normal20%de R$ 1.621,00 até R$ 8.475,55R$ 324,20 a R$ 1.695,11
Plano simplificado, sem aposentadoria por tempo de contribuição11%só o salário mínimoR$ 178,31

Lei 8.212/1991, art. 21 e § 2º. Valores de 2026 conforme a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026 e o teto divulgado pelo INSS. Consultado em 10 de setembro de 2026.

O livro-caixa

O artigo 68 do RIR/2018 permite abater da receita as despesas de custeio necessárias à atividade — para quem programa, isso costuma incluir licenças de software, serviços de nuvem, equipamento e internet, desde que comprovados e necessários. Dois limites do artigo 69: a dedução não pode passar da receita do mês, e o excesso rola só até dezembro do mesmo ano-calendário. O detalhamento está em contabilidade para autônomo.

CLT ou PJ: a comparação que quase ninguém faz direito

Comparar salário CLT com valor da nota PJ é a conta errada, e é a que a maioria faz. Os dois lados têm coisas que o outro não tem.

 CLTPJ
13º salárioSimNão existe — você provisiona ou não tem
Férias + 1/3Sim, remuneradasVocê para de faturar quando para de trabalhar
FGTS8% ao mês, mais multa na dispensa sem justa causaNão existe
Aviso prévio e seguro-desempregoSimNão
INSSDescontado, com o patronal por conta da empresaPor sua conta, sobre o pró-labore
BenefíciosPlano, vale, auxílios, conforme o contratoSó se estiverem no valor negociado
Imposto sobre o que entraIRRF pela tabela progressivaDAS da empresa, mais IRPF sobre o pró-labore
Custo fixoNenhumContabilidade, certificado digital, taxas
RiscoDa empresaSeu — inadimplência, projeto cancelado, doença
EstabilidadeRegras de rescisãoContrato pode acabar no aviso combinado
Quem responde por erroEm regra, a empresaConforme o contrato, pode ser você

Elaboração da Hopecont. Os itens de cada lado dependem do contrato e da estrutura da empresa.

Como fazer a conta certa

Transforme o pacote CLT em custo anual: salário × 13,33 (com 13º e o terço de férias), mais FGTS, mais o valor real dos benefícios.

Compare com o que sobra da nota PJ depois de imposto, contabilidade, INSS e a provisão do que você teria de férias e 13º.

Muitas vezes o PJ ganha. Muitas vezes não. Não dá para afirmar antes de calcular, e quem afirma sem conta está vendendo alguma coisa.

Dev PJ trabalhando para uma empresa só

Este é o arranjo mais comum de TI e o que mais gera discussão. Um desenvolvedor com CNPJ pode prestar serviço para uma empresa. O que não se sustenta é o CNPJ ser usado para vestir de contrato de prestação uma relação que, na prática, tem as marcas de emprego.

Aponta para prestação de serviçoAponta para vínculo
Você organiza como e quando entregaHorário fixo, ponto, escala definida pela empresa
Pode ter outros clientesExclusividade exigida, de fato ou por escrito
A entrega é o resultado contratadoVocê cumpre tarefas do dia a dia como qualquer empregado
Pode se fazer substituir na execuçãoA empresa exige que seja você, pessoalmente
Assume o próprio risco e os próprios meiosRecebe fixo, com subordinação e comando direto

Elementos examinados para distinguir prestação de serviço de relação de emprego.

Ter um único cliente não gera vínculo por si só. O que pesa é o conjunto: autonomia, pessoalidade, subordinação, habitualidade e a forma como a coisa acontece no dia a dia. O contrato precisa refletir a realidade — e, quando não reflete, é a realidade que vale. O recorte específico está em desenvolvedor pode ser MEI?, na seção sobre o dev PJ com um cliente só.

Cliente no exterior: precisa de CNPJ?

Não existe obrigação automática de abrir empresa só porque o cliente é estrangeiro. Também não existe isenção automática — e essa é a metade que costuma ser omitida.

Quando há empresa, cada um destes pontos precisa ser olhado no caso concreto:

O erro comum é assumir que “exportou, não paga nada”. A caracterização depende do serviço, do contrato e do entendimento do município — e é isso que precisa ser conferido antes, não depois. O passo a passo de quem já tem empresa está em como abrir empresa de tecnologia e desenvolvedor.

Recebeu proposta de PJ e quer saber quanto sobra de verdade depois de imposto, contabilidade e o que você deixa de ter em 13º, férias e FGTS?

Falar com um contador

Três cenários, três análises diferentes

Os números abaixo são de faturamento e estrutura, não de imposto. A intenção é mostrar por que a mesma pergunta tem respostas diferentes.

 Dev ADev BDev C
FaturamentoR$ 5.000/mêsR$ 12.000/mêsR$ 25.000/mês
Como trabalhaProjetos pontuaisReceita recorrente, clientes empresaVários clientes, com equipe ou terceiros
Quem pagaPessoa física e alguma empresaEmpresasEmpresas, e às vezes exterior
Precisa de nota fiscal?Às vezesSim, para quase tudoSim, sempre
EstruturaNenhumaPoucaEquipe, ferramentas, contratos
O que decide a análiseSe o IRPF já morde depois do livro-caixa, contra o custo fixo do CNPJQuanto da receita exige nota, e o Fator R com pró-labore definidoO CNAE de cada receita, a folha, o Fator R e o formato dos terceiros
Onde o CPF costuma pesarPouco nesta faixaPesa: parte do dinheiro não entra sem notaNão cabe: estrutura e contratos exigem empresa

Cenários ilustrativos, montados pela Hopecont para mostrar as variáveis da decisão. Não representam cálculo de imposto.

O que a tabela mostra: no Dev A o CNPJ costuma ser custo sem contrapartida. No Dev B a decisão raramente é tributária — é operacional. No Dev C a empresa já é pressuposto, e a discussão passa a ser qual estrutura, não se.

Quanto custa abrir e quanto custa manter

Uma vez, na abertura: taxas da Junta Comercial, inscrição municipal, alvará quando o município exigir e certificado digital. Varia por estado e município.

Todo mês, depois de aberta:

Se a soma dessas linhas é maior do que o que você economiza de imposto, o CNPJ ainda não é a hora.

Oito erros que a gente encontra em TI

Os oito

  • Abrir MEI como “técnico de manutenção” ou “instrutor de informática” para programar. As ocupações existem, mas não são a sua.
  • Escolher o CNAE pelo cargo em vez da entrega. “Desenvolvedor” não é CNAE.
  • Faturar produto próprio no CNAE de sob encomenda, ou o contrário.
  • Deixar o pró-labore em zero e descobrir o Anexo V no recálculo dos doze meses.
  • Comparar salário CLT com o valor cheio da nota PJ, sem 13º, férias, FGTS e custo de empresa.
  • Assumir que exportar significa não pagar nada, sem conferir a caracterização e o ISS do município.
  • Assinar contrato de PJ que descreve rotina de empregado — horário, ponto, exclusividade, subordinação.
  • Tratar startup e freelancer como a mesma coisa. A lei define startup, e a definição tem consequência.

Antes de abrir seu CNPJ, faça esta conta

Junte estes treze itens antes de decidir — dá para levantar todos em uma tarde.

Os 13 números que decidem o seu caso

Com esses treze itens dá para calcular o líquido nos dois cenários e ver a diferença em reais por mês — que é a única coisa que responde a pergunta do título.

  1. Faturamento mensal dos últimos doze meses;
  2. Faturamento anual acumulado;
  3. Quantos clientes você tem hoje;
  4. Se existe um único contratante — e há quanto tempo;
  5. Se há clientes no exterior, e quanto representam;
  6. Quanto da receita é software sob encomenda;
  7. Quanto é produto próprio, licença ou assinatura;
  8. Quanto da receita é recorrente e quanto é pontual;
  9. Pró-labore que você pretende retirar;
  10. Se tem ou pretende ter funcionários ou terceiros;
  11. Suas despesas profissionais comprovadas;
  12. O que o seu município cobra de ISS de autônomo e de empresa;
  13. Quanto da receita exige nota fiscal.

Checklist: CPF ou CNPJ

Sinais de que o CPF ainda dá conta

  • Projetos pontuais, sem recorrência;
  • Clientes que não exigem nota fiscal;
  • Nenhum cliente no exterior;
  • Despesas profissionais pequenas;
  • Depois do livro-caixa, o imposto de renda ainda é baixo.

Sinais de que a conta virou

  • Apareceu contrato recorrente ou proposta de PJ;
  • A maior parte da receita vem de empresa que exige nota;
  • Você tem mais de um cliente firme;
  • Entrou cliente no exterior;
  • Você está construindo produto próprio;
  • Precisa terceirizar parte da entrega;
  • A base do IRPF já está na faixa de 27,5% com frequência.

Um sinal isolado raramente decide. Três ou quatro juntos costumam decidir.

A gente faz essa conta com os seus números

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Equipe Hopecont

Conteúdo produzido e revisado pelos contadores da Hopecont Contabilidade Estratégica, escritório no Jereissati I, em Maracanaú/CE, atendendo todo o Brasil de forma 100% online. Conteúdo baseado na LC 123/2006, na LC 167/2019, na LC 182/2021, na Resolução CGSN nº 140/2018, no RIR/2018, na Lei nº 8.212/1991, nas notas explicativas da CNAE (IBGE/CONCLA) e nas tabelas do IRPF e do INSS de 2026. Verificado em 10 de setembro de 2026.

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Perguntas frequentes

Desenvolvedor precisa ter CNPJ?

Não é obrigatório. Dá para atuar como pessoa física, com carnê-leão quando o cliente é pessoa física, retenção na fonte quando quem paga é empresa, INSS de contribuinte individual e o ISS do município. O CNPJ passa a fazer sentido com receita recorrente, exigência de nota fiscal, vários clientes, cliente no exterior ou produto próprio.

Desenvolvedor pode ser MEI?

Não. As palavras “programador”, “desenvolvedor” e “software” não aparecem nas 426 ocupações do Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018. O que existe de informática na lista é técnico de manutenção de computador, instrutor de informática e comerciante de equipamentos. E há vedação expressa ao SIMEI para empresa constituída como startup, no art. 18-A, § 4º, V da LC 123/2006.

Qual CNAE usar para desenvolvedor?

Depende da entrega. Desenvolvimento sob especificação do cliente é o 6201-5/01. Produto próprio adaptado a cada cliente é o 6202-3/00; produto próprio entregue igual para todos é o 6203-1/00. As notas explicativas do 6201-5/01 excluem expressamente esses casos.

Qual CNAE usar para programador?

“Programador” não é um CNAE. O código segue o que é entregue, não o cargo: sob encomenda, produto próprio, consultoria e web design têm subclasses diferentes.

Qual CNAE usar para consultoria em TI?

O 6204-0/00. As notas explicativas incluem análise de necessidades, assessoria de hardware e software, gerenciamento de projetos de informatização, integração de sistemas, manutenção de sites e a customização de programas customizáveis.

Desenvolvedor pode optar pelo Simples Nacional?

A empresa pode analisar essa opção quando atende aos requisitos legais. O que se paga dentro do Simples depende do CNAE, do anexo e da faixa — não de uma alíquota fixa por profissão.

Desenvolvedor PJ paga 6%?

Não necessariamente. Os 6% são a alíquota nominal da primeira faixa do Anexo III. As atividades de elaboração de programas estão no art. 18, § 5º-D da LC 123/2006 e caem para o Anexo V quando a folha fica abaixo de 28% da receita dos doze meses anteriores — na primeira faixa, isso é 15,50%. Sem pró-labore definido, o dev que trabalha sozinho costuma cair.

Qual imposto o desenvolvedor PJ paga?

No Simples Nacional, o DAS mensal, calculado sobre a receita bruta pelo anexo aplicável à atividade. Fora do DAS, há o INSS sobre o pró-labore e o IRPF do sócio sobre essa retirada. O valor efetivo depende do CNAE, da folha e da faixa de faturamento.

Desenvolvedor pode trabalhar para uma empresa como PJ?

Pode. Ter um único cliente não gera vínculo por si só. O que pesa é o conjunto: autonomia, pessoalidade, subordinação e habitualidade. O contrato precisa refletir o que acontece no dia a dia — quando não reflete, é a realidade que vale.

CLT ou PJ: qual compensa?

Depende da conta, e ela não é salário contra nota. Do lado CLT entram 13º, férias com o terço, FGTS, aviso prévio e benefícios. Do lado PJ entram imposto, contabilidade, INSS sobre o pró-labore, o risco e a provisão do que você teria de férias e 13º. Às vezes o PJ ganha; às vezes não.

Desenvolvedor que trabalha para o exterior precisa de CNPJ?

Não automaticamente. Também não há isenção automática. Quando há empresa, é preciso olhar a caracterização da exportação de serviços, o ISS e o local do resultado, a emissão do documento fiscal, o câmbio e as obrigações acessórias — caso a caso.

Software próprio usa o mesmo CNAE de software sob encomenda?

Não. Sob encomenda é 6201-5/01. Produto próprio é 6202-3/00 quando customizável e 6203-1/00 quando não customizável. As notas explicativas do 6201-5/01 remetem esses casos expressamente para os outros códigos.

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