Saúde

Contabilidade Consultiva Para Consultório: O Que Muda na Prática

Equipe Hopecont Publicado em 13 de setembro de 2026 11 min de leitura
Profissional anotando em prancheta durante um atendimento em consultório

Foto: RDNE Stock project / Pexels

Nota 5,0 no Google · 242 avaliações

Alguém já sentou com você para calcular quanto de pró-labore o seu consultório deveria pagar? Ou o valor foi escolhido no chute e nunca mais mudou?

Consultório de psicologia, fisioterapia ou nutrição costuma ter estrutura pequena e uma decisão grande parada há anos: o pró-labore. Ele define o Fator R, o Fator R define o anexo, e o anexo define quase metade do que você paga de imposto.

Contabilidade consultiva é a mesma contabilidade de sempre — mesma guia, mesmo prazo, mesma obrigação — com uma diferença: alguém olha esse número antes do ano fechar e te diz o que ele está custando.

As três profissões dividem quase tudo, mas se separam em pontos que mudam a rotina. Vale ver os dois lados.

Resposta rápida

A contabilidade tradicional entrega guia e balancete. A consultiva usa os mesmos números para avisar antes: que o pró-labore atual está deixando o consultório no Anexo V, que a receita do trimestre mudou a faixa, que o convênio novo vai reter na nota. Psicologia e fisioterapia estão no Anexo III pelo art. 18, § 5º-B, XVI e XXI, da LC 123/2006, e vão para o Anexo V só quando a folha fica abaixo de 28% da receita dos doze meses anteriores. O que muda não é o serviço — é quando você fica sabendo.

Quer ver como isso funciona no seu consultório? Fale com um contador da Hopecont pelo WhatsApp.

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Contabilidade que registra e contabilidade que avisa

As duas cumprem a mesma lei, no mesmo prazo. A diferença aparece depois que o mês fecha.

Na tradicional, o fechamento vira arquivo. Se você perguntar, ele responde bem. Se não perguntar, ninguém puxa o assunto — e o pró-labore continua o mesmo do ano passado.

Na consultiva, o fechamento gera uma segunda pergunta: o que esse número indica para os próximos meses? É dessa pergunta que sai o aviso.

Situação realA que só registraA que avisa antes
O pró-labore está baixo demais para o Fator RFica como está, ano após anoVocê recebe a conta de quanto isso custa por mês
A folha caiu abaixo de 28% da receitaAparece no DAS mais caroChega um aviso quando a razão começa a cair
Você vai alugar uma sala maiorVira despesa no balanceteVocê vê antes quantos atendimentos a mais a sala precisa pagar
Um convênio começa a reter na notaVira diferença no depósitoEntra no controle de retenções desde a primeira nota
Você atende também como pessoa físicaFica em duas contabilidades separadasAlguém compara os dois caminhos com números

Comparativo de rotina, não de obrigação: as duas colunas cumprem a mesma legislação. O que muda é o momento em que a informação chega até quem decide.

Nenhuma linha da coluna do meio é irregular. Está tudo certo e no prazo — só chega depois que o ano passou.

O calendário de decisões de um consultório

Consultoria não é uma conversa solta. É saber que certas decisões só aparecem em certos meses — e chegar nelas com o número pronto, não correndo atrás depois.

QuandoA decisão que apareceO que precisa estar na mão
JaneiroRevisar o pró-labore do anoFolha e receita dos doze meses anteriores
FevereiroFechar a DMED, quando o consultório for obrigadoPagamentos recebidos de pessoas físicas no ano anterior
MarçoEntregar a DEFIS e revisar a distribuição de lucroBalanço e demonstração do resultado fechados
Todo mêsConferir o Fator RFolha dos doze meses anteriores sobre a receita do mesmo período
Antes de alugar sala ou contratarSimular o efeito no anexo e no ponto de equilíbrioCusto total, não só o valor do aluguel ou do salário
Ao emitir recibo para pessoa físicaConferir o que a profissão exigeRegras da sua profissão para o Receita Saúde e a DMED
Meio do anoComparar Simples e Lucro PresumidoReceita acumulada, folha e ISS do município
Sempre que entrar convênio novoAjustar o controle de retençõesContrato e a primeira nota emitida

Fontes: LC 123/2006, art. 18, §§ 5º-B, XVI e XXI, 5º-K e 5º-M, I; Resolução CGSN nº 140/2018, art. 72, § 1º (DEFIS até 31 de março); IN RFB nº 2.074/2022 (DMED, último dia útil de fevereiro); IN RFB nº 2.240/2024, art. 3º (Receita Saúde).

Um ponto que separa as três profissões: o Receita Saúde, o recibo eletrônico de pessoa física, alcança dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais — a lista do art. 3º da IN RFB nº 2.240/2024. Nutricionista não está nessa lista. Contador que trata as três profissões como uma coisa só erra aqui.

Os números que sustentam essas decisões

Balancete, DRE e guia são obrigação — chegam de qualquer jeito. O que separa a contabilidade consultiva é o que ela calcula em cima disso e leva para a conversa:

O que deveria estar na sua mesa

  • O Fator R do mês, com os doze meses anteriores — e a projeção dos próximos três.
  • O pró-labore ideal: quanto seria preciso pagar para o consultório ficar no Anexo III, e quanto isso custa de INSS.
  • A receita por origem: particular, convênio, empresa contratante, plataforma de atendimento on-line.
  • A ocupação da agenda: horas atendidas sobre horas disponíveis, e o custo da hora vaga.
  • O retido na fonte acumulado no ano e quanto já foi compensado.
  • O ponto de equilíbrio: quantos atendimentos por mês pagam sala, folha e imposto.

Nada disso pede sistema novo. Sai do balancete, da folha e da agenda que o consultório já tem.

Uma decisão com número: exemplo de cálculo

Isto é um exemplo

Os números abaixo são hipotéticos, escolhidos para a conta ficar redonda. Não são de nenhum cliente. As alíquotas e as parcelas a deduzir são as das tabelas oficiais em vigor. A sua empresa tem outros números — a conta só vale feita com eles.

A decisão mais cara de um consultório pequeno costuma ser a mais silenciosa: o valor do pró-labore.

Imagine um consultório que fatura R$ 18 mil por mês — R$ 216 mil nos últimos doze meses — e paga pró-labore de um salário mínimo, R$ 1.621,00. Isso é 9% da receita. Bem abaixo dos 28%, então o consultório está no Anexo V.

Para chegar aos 28% o pró-labore precisaria ir a R$ 5.040,00. Vamos arredondar para R$ 6.000,00, o que dá 33,3% da receita e deixa folga se algum mês cair. Veja o efeito:

CenárioAlíquota efetivaDAS do mês sobre R$ 18 mil
Pró-labore de R$ 1.621 — 9% da receita, Anexo V15,92%R$ 2.865,00
Pró-labore de R$ 6.000 — 33,3% da receita, Anexo III6,87%R$ 1.236,00
Diferença no DASR$ 1.629,00 por mês
INSS a mais sobre o pró-labore maior (11%)R$ 481,69 por mês
Sobra no mêsR$ 1.147,31

Exemplo hipotético. Cálculo pela fórmula do art. 18, § 1º, da LC 123/2006, com receita bruta acumulada de R$ 216.000,00 nos doze meses anteriores — 2ª faixa nos dois anexos. Anexo III: 11,20% de alíquota nominal e R$ 9.360,00 de parcela a deduzir. Anexo V: 18,00% e R$ 4.500,00. A razão folha sobre receita usa os doze meses anteriores ao período de apuração (§ 5º-K). Contribuição do sócio: 11% sobre o pró-labore, limitada ao teto do salário de contribuição, que em 2026 é de R$ 8.475,55. Salário mínimo de 2026: R$ 1.621,00.

Sobram R$ 1.147,31 por mês — R$ 13.767,72 no ano — só por mudar um número que ninguém revisava.

Falta uma linha nessa conta, e ela precisa ser dita: o pró-labore maior entra na tabela mensal do IRPF, enquanto o lucro distribuído com escrituração contábil não entra. Parte da sobra volta para o imposto de renda da pessoa física. Por isso a conta certa não é a de cima — é a de cima mais a simulação do seu IRPF, feita com os seus dependentes e as suas deduções.

E é exatamente esse o ponto. A contabilidade consultiva não te dá uma regra de bolso. Ela senta com o seu número, faz as duas contas e mostra onde fica o melhor ponto — antes do ano começar, não em março do ano seguinte.

Quer essa conta feita com os números do seu consultório? Fale com um contador da Hopecont.

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Como é uma reunião que vale a pena

Reunião de contabilidade consultiva não é "está tudo certo?". Tem pauta, tem número na mesa e termina com decisão anotada. A pauta de um consultório costuma ser esta:

  1. O Fator R dos últimos meses e a projeção — está subindo ou descendo?
  2. O pró-labore: ainda faz sentido no valor de hoje?
  3. A receita por origem: particular, convênio, empresa, plataforma.
  4. A ocupação da agenda e o custo da hora vaga.
  5. O retido na fonte: quanto entrou, quanto foi compensado, quanto está parado.
  6. O que está previsto para os próximos três meses: sala nova, sócio, contratação, convênio.
  7. Uma decisão anotada, com prazo e responsável.

Trinta a quarenta minutos, uma vez por trimestre, resolvem a maior parte disso. O que não funciona é descobrir tudo em março, quando o ano já fechou.

Sinais de que a sua contabilidade só registra

Nenhum destes é ilegal. Todos são sinal de que ninguém está olhando o seu negócio, só a sua obrigação.

Se você reconhecer três, vale conversar

  • O seu pró-labore é o mesmo desde a abertura da empresa.
  • Ninguém nunca te explicou o que é o seu Fator R nem por que ele importa.
  • Você só fala com o escritório quando tem guia para pagar.
  • Alguém te disse que nutricionista é obrigado ao Receita Saúde — ou que psicólogo não é.
  • A distribuição de lucro é decidida olhando o saldo do banco.
  • Você descobriu a retenção do convênio pela diferença no depósito.

O que pedir ao seu contador atual antes de trocar

Trocar não é o primeiro passo. O primeiro passo é pedir — por escrito, com prazo — e ver o que volta. Peça estes cinco itens:

  1. O Fator R dos últimos seis meses, mês a mês.
  2. Uma simulação do pró-labore: quanto precisaria ser para o consultório ficar no Anexo III, e quanto isso custa de INSS e de IRPF.
  3. A DRE com a receita separada por origem.
  4. O total retido na fonte no ano e quanto já foi compensado.
  5. O lucro distribuível apurado na escrituração até o mês passado.

Se voltar tudo em uma semana, você já tem consultoria e não sabia. Se não voltar nada, você tem a resposta. E se decidir trocar, o caminho está em como trocar de contabilidade — na Hopecont não há fidelidade nem multa de cancelamento.

O resumo

Contabilidade consultiva não é um serviço extra. É a mesma contabilidade entregando a informação antes da decisão.

Num consultório de psicologia, fisioterapia ou nutrição isso se concentra em três pontos: o pró-labore revisado todo ano, o Fator R acompanhado mês a mês e a obrigação certa para cada profissão — porque as três não são iguais.

O exemplo acima mostra o tamanho disso: mais de mil reais por mês parados num campo que ninguém abria.

A Hopecont atende consultórios de psicologia, fisioterapia e nutrição em todo o Brasil com Fator R acompanhado todo mês, revisão anual do pró-labore e a obrigação certa para cada profissão — sem fidelidade e sem multa de cancelamento. Nota 5,0 no Google, 242 avaliações.

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Perguntas frequentes

Nutricionista é obrigado ao Receita Saúde?

Não. O art. 3º da IN RFB nº 2.240/2024 lista dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Nutrição não está na lista. O detalhe está em Receita Saúde: quem é obrigado.

Psicólogo pode ser MEI?

Não. Psicologia é profissão regulamentada por conselho e não consta das ocupações permitidas ao MEI. O caminho é ME ou EPP. Veja psicólogo pode ser MEI? e fisioterapeuta pode ser MEI?.

Consultório fica no Anexo III ou no Anexo V?

Fisioterapia (§ 5º-B, XVI) e psicologia (§ 5º-B, XXI) começam no Anexo III. O § 5º-M, I, manda a atividade para o Anexo V apenas quando a folha dos doze meses anteriores fica abaixo de 28% da receita bruta do mesmo período. Para nutrição, a comparação está em Anexo III ou V para nutricionista.

Qual é o pró-labore ideal?

Não existe um valor único. Depende da sua receita dos doze meses anteriores, do anexo em que você está e da sua situação no imposto de renda pessoa física. O que existe é a conta: comparar o DAS nos dois anexos, somar o INSS de 11% sobre o pró-labore maior e simular o efeito no IRPF. Um número escolhido sem essa conta quase sempre está errado para algum lado.

Quanto custa a contabilidade de um consultório?

Depende do porte, do número de sócios, do tamanho da folha e do volume de notas. Veja planos e quanto custa a contabilidade mensal.

Preciso pagar multa para trocar de contador?

Depende do contrato atual — prazo mínimo e multa valem quando estão escritos. Na Hopecont não há fidelidade nem multa de cancelamento; a migração está em trocar de contador.

Nota 5,0 no Google · 242 avaliações

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