Halteres organizados em um suporte de academia, com aparelhos ao fundo.
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Academia, box de CrossFit e estúdio de pilates vivem uma situação que quase nenhum outro segmento tem: a folha de professores costuma resolver o Fator R sozinha. O problema aparece quando o time todo emite nota como PJ — e aí a mesma academia cheia de gente trabalhando cai no Anexo V. Esta página mostra o número exato de pró-labore que falta no seu caso, e em quantos casos ele é simplesmente zero.

Resposta rápida

Academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes estão no Anexo III por nome (art. 18, § 5º-D, III, da LC 123/2006) e caem para o Anexo V quando a folha de 12 meses fica abaixo de 28% da receita do mesmo período (§ 5º-M, II). Como a folha inclui os salários dos professores e o pró-labore (§ 24), a academia com equipe registrada costuma já estar acima do corte. Numa academia de R$ 60.000 por mês com quatro professores na carteira, o que falta de pró-labore é R$ 3.120 — não os R$ 16.800 que a regra dos 28% sugere a quem olha só o faturamento.

A academia nasce no Anexo III — e pode cair de lá

Vale corrigir uma inversão que circula muito: a academia não é Anexo V que sobe para o III com o Fator R. É o contrário. O § 5º-D, III, coloca a atividade no Anexo III; o § 5º-M, II, é que a derruba para o Anexo V quando a razão não alcança 28%. A diferença prática é a mesma, mas a direção importa para entender o risco: você tem algo a perder, não algo a conquistar.

LC 123/2006, art. 18, § 24
considera-se folha de salários, incluídos encargos, o montante pago, nos doze meses anteriores ao período de apuração, a título de remunerações a pessoas físicas decorrentes do trabalho, acrescido do montante efetivamente recolhido a título de contribuição patronal previdenciária e FGTS, incluídas as retiradas de pró-labore.

Entram: salário dos professores e instrutores, da recepção, da limpeza, o 13º, o terço de férias, o FGTS recolhido e o pró-labore dos sócios. Não entram o aluguel do galpão, os equipamentos, o software de gestão e — a mais cara de todas — a nota do personal que atende ali como pessoa jurídica.

A janela é móvel: o cálculo sempre olha os 12 meses anteriores ao período de apuração (§ 5º-K). Academia é sazonal, e isso significa que um verão forte pode derrubar a razão dos meses seguintes sem que a folha tenha mudado.

Qual pró-labore fecharia os 28% sem ninguém na folha

Este é o cenário do estúdio pequeno, tocado só pelo dono. Aqui o pró-labore precisa cobrir os 28% inteiros:

Pró-labore que fecharia o Fator R numa academia sem empregados registrados (valores mensais, 2026)

Receita por mêsPró-labore que fecha os 28%INSS (11%)Imposto de rendaCusto por mês
R$ 30.000R$ 8.400R$ 924R$ 1.147R$ 2.071
R$ 60.000R$ 16.800R$ 932R$ 3.455R$ 4.387
R$ 100.000R$ 28.000R$ 932R$ 6.535R$ 7.467
R$ 180.000R$ 50.400R$ 932R$ 12.695R$ 13.627

INSS de 11% até o teto de R$ 8.475,55. Imposto de renda pela tabela mensal, com a redução da Lei 15.270/2025 já aplicada.

Para a maior parte das academias, porém, essa tabela é teórica — porque elas têm professores. E é aí que a conta vira a favor.

Instrutor orientando uma aluna em exercício com barra dentro da academia.
Foto: Ketut Subiyanto / Pexels

A folha de professores costuma resolver sozinha

Um salário de R$ 2.400 vale R$ 2.880 por mês no Fator R, somando 13º, terço de férias e o FGTS de 8% efetivamente recolhido. Agora veja o que acontece quando existem três, quatro, cinco pessoas registradas:

Pró-labore que ainda falta para fechar os 28%, conforme a equipe registrada (salários de R$ 2.400, valores mensais)

Receita por mêsVocê sozinho2 empregados4 empregados6 empregados
R$ 30.000R$ 8.400R$ 2.640nenhumnenhum
R$ 60.000R$ 16.800R$ 11.040R$ 5.280nenhum
R$ 100.000R$ 28.000R$ 22.240R$ 16.480R$ 10.720
R$ 180.000R$ 50.400R$ 44.640R$ 38.880R$ 33.120

"Nenhum" quer dizer que a folha dos empregados já passou dos 28% sozinha. "O mínimo" quer dizer que o que falta ficou abaixo do salário mínimo de R$ 1.621,00.

Uma academia de R$ 30.000 por mês com quatro professores registrados não precisa de pró-labore nenhum além do mínimo: a folha passa dos 28% por si só. E com seis, sobra folga.

Por isso o problema raramente é "quanto retirar". É como a equipe está contratada. Academia que paga todo mundo por aula, contra nota de PJ, tem faturamento de academia e folha de escritório vazio — e vai para o Anexo V sempre.

Se os seus professores emitem nota em vez de ter carteira assinada, esse é o ponto que mais pesa no seu DAS — e vale medir antes de mexer no pró-labore.

Falar com um contador

O que o pró-labore custa de INSS

O sócio que trabalha na academia é contribuinte individual (Lei 8.212/1991, art. 12, V, "f"): 11% sobre o pró-labore, descontados e recolhidos pela própria empresa, até o teto do salário de contribuição — R$ 8.475,55 em 2026. Acima disso a contribuição congela em R$ 932,31 por mês.

Num segmento em que o trabalho é físico, essa contribuição tem valor concreto: lesão que afasta o professor-sócio da operação é risco real, e auxílio-doença só existe para quem contribui.

E de imposto de renda

Desde janeiro de 2026 existe uma redução que zera o imposto de renda mensal até R$ 5.000 de rendimento tributável, sumindo em R$ 7.350 — art. 3º-A da Lei 9.250/1995, incluído pela Lei 15.270/2025.

Quanto custa cada valor de pró-labore por mês, em 2026

Pró-labore por mêsINSS (11%)Imposto de rendaCusto totalQuanto isso é do valor
R$ 1.621R$ 178,31R$ 0,00R$ 178,3111,0%
R$ 3.000R$ 330,00R$ 0,00R$ 330,0011,0%
R$ 5.000R$ 550,00R$ 0,00R$ 550,0011,0%
R$ 7.500R$ 825,00R$ 926,90R$ 1.751,9023,4%
R$ 11.000R$ 932,31R$ 1.859,88R$ 2.792,1925,4%

Quando a folha de professores já cobre boa parte dos 28%, o pró-labore que falta costuma ficar nas três primeiras linhas — a faixa em que o custo é só INSS.

É por isso que, na academia com equipe registrada, fechar o Fator R sai barato: o pedaço que falta é pequeno e cabe na faixa isenta de imposto de renda.

Uma academia de verdade, com a conta fechada

Imagine uma academia que fatura R$ 60.000 por mês, com quatro professores registrados de R$ 2.400 e uma recepcionista de R$ 1.800. O dono retira o pró-labore mínimo.

A folha que conta: R$ 11.520 dos professores mais R$ 2.160 da recepção, total de R$ 13.680. Somando o pró-labore mínimo de R$ 1.621, a folha chega a R$ 15.301 — ou 25,5% da receita.

A mesma academia de R$ 60.000/mês, com a equipe na carteira ou como PJ

Como a equipe está contratadaFolha que conta no Fator RFator RAnexo
Quatro professores e recepção registradosR$ 15.30125,5%V
Todos emitindo nota como PJR$ 1.6212,7%V

Mesmo faturamento, mesma gente trabalhando, mesmo serviço prestado. O que muda é a forma de contratação — e ela decide o anexo.

Faltam R$ 3.120 de folha para fechar os 28%, o que significa subir o pró-labore do dono de R$ 1.621 para R$ 3.120. Custo dessa mudança: de R$ 178,31 para R$ 343,20 por mês, uma diferença de R$ 164,89.

Compare isso com a economia de DAS entre o Anexo V e o Anexo III nessa faixa de faturamento — a tabela completa está em Fator R: Anexo III ou Anexo V, e dá para simular na calculadora de Fator R.

Professora auxiliando uma aluna em exercício de solo sobre o tatame.
Foto: Ahmet Kurt / Pexels

Quando não vale a pena forçar

O caso em que a conta não fecha é sempre o mesmo: faturamento alto com folha pequena. Estúdio de pilates com dois sócios e nenhum empregado, box de CrossFit onde os coaches são todos PJ, academia que terceirizou a recepção e a limpeza.

Aí o pró-labore necessário sobe para além dos R$ 7.350, a redução do imposto de renda acaba e cada real a mais encontra a alíquota cheia. Nesse ponto a pergunta certa não é "quanto retirar", é "quem deveria estar registrado aqui" — e a resposta costuma resolver o Fator R e o risco trabalhista de uma vez só.

Cinco erros que derrubam o Fator R de uma academia

O que a gente mais vê

  1. Professores e coaches como PJ. Nota de pessoa jurídica não entra na folha, e quando há escala, uniforme e subordinação o vínculo existe de fato.
  2. Pagamento por aula, sem registro. Além de não contar no Fator R, é passivo trabalhista e previdenciário acumulando.
  3. Ignorar a sazonalidade. A matrícula de janeiro infla a receita de 12 meses e derruba a razão nos meses seguintes.
  4. Demitir no fim do ano sem refazer a conta. A folha cai, a receita continua, e o Anexo V chega em silêncio.
  5. Confundir despesa com folha. Aparelho, aluguel do galpão e software não entram no numerador — só remuneração de pessoa física.

Como ajustar, passo a passo

  1. Some a folha real dos últimos 12 meses: salários, 13º, terço de férias, FGTS recolhido e pró-labores pagos.
  2. Some a receita bruta dos mesmos 12 meses, a informada no Simples.
  3. Divida. De 0,28 para cima, a academia está no Anexo III.
  4. Faltou? Receita de 12 meses × 0,28, menos a folha atual, dividido por 12 — é o pró-labore mensal que falta.
  5. Antes de subir o pró-labore, avalie registrar quem já trabalha ali. R$ 2.400 de salário valem R$ 2.880 no Fator R; R$ 2.400 de pró-labore valem R$ 2.400.
  6. Refaça todo mês, principalmente depois da alta de matrículas.

E lembre que a academia tem obrigações próprias que caminham junto: o eSocial da folha de professores, o alvará de funcionamento e o registro do responsável técnico no conselho profissional.

Estúdio de pilates com aparelhos alinhados e vazios.
Foto: Lê Đức / Pexels
Equipe Hopecont

Conteúdo produzido e revisado pelos contadores da Hopecont Contabilidade Estratégica, escritório no Jereissati I, em Maracanaú/CE, com atendimento em todo o Brasil. Conteúdo baseado na Lei Complementar nº 123/2006 — art. 18, §§ 4º, I, 5º-D, III, 5º-K, 5º-M, II, e 24 —, na Lei 8.212/1991 e na Lei 15.270/2025.

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Perguntas frequentes

Academia é Anexo III ou Anexo V?

Nasce no Anexo III. As academias de atividades físicas, desportivas, de natação e as escolas de esportes estão no art. 18, § 5º-D, III, da LC 123/2006. A atividade só cai para o Anexo V quando a folha de 12 meses, incluído o pró-labore, fica abaixo de 28% da receita do mesmo período (§ 5º-M, II). Academia com equipe registrada costuma passar desse corte sem esforço.

Box de CrossFit e estúdio de pilates seguem a mesma regra?

Seguem, quando a atividade registrada é de condicionamento físico ou ensino de esportes. A diferença prática é o tamanho da folha: box e estúdio costumam ter menos gente registrada e mais profissional emitindo nota, e é isso que joga a razão para baixo — não a modalidade.

A nota do personal que atende na minha academia conta na folha?

Não conta. O § 24 do art. 18 fala em remunerações a pessoas físicas decorrentes do trabalho; pagamento a pessoa jurídica é despesa com serviço. É a causa mais comum de Fator R baixo em academia cheia. Quando há escala fixa, uniforme e subordinação, o registro em carteira é o caminho que resolve o tributário e o trabalhista ao mesmo tempo.

Vale mais contratar um professor ou aumentar o meu pró-labore?

Em reais no Fator R, o salário rende mais: R$ 2.400 registrados valem R$ 2.880 por mês na conta, por causa de 13º, férias e FGTS, contra R$ 2.400 de pró-labore, que valem exatamente R$ 2.400. Mas o salário traz uma pessoa a mais para a operação e encargos próprios — só faz sentido se houver trabalho para ela.

A sazonalidade de janeiro atrapalha o Fator R?

Pode atrapalhar. O cálculo usa a receita dos 12 meses anteriores, então um pico de matrículas aumenta o denominador e derruba a razão nos meses seguintes, mesmo com a folha intacta. Academia que opera perto do corte precisa acompanhar a conta mês a mês, e não uma vez por ano.

Se eu registrar dois professores hoje, quando o DAS cai?

Não cai de imediato. O Fator R considera os doze meses anteriores ao período de apuração (§ 5º-K), então o efeito entra gradualmente, conforme os meses sem aquela folha saem da janela. Para acelerar, a combinação usual é registrar e ajustar o pró-labore no mesmo mês.

Academia que vende suplemento muda de anexo?

A receita da venda muda. Suplemento é revenda de mercadoria e deve ser segregada (art. 18, § 4º, I) para ser tributada pelo Anexo I, enquanto a mensalidade continua no Anexo III. São duas receitas, duas tabelas — e a venda de produto não entra na conta do Fator R nem para ajudar nem para atrapalhar, porque o Fator R é sobre folha e receita, não sobre margem.

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