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Reforma Tributária

Reforma tributária: o que muda para clínicas, salões e profissionais liberais

Equipe Hopecont 16 de agosto de 2026 8 min de leitura
Contadora orientando cliente sobre a reforma tributária para clínicas, salões e profissionais liberais
A reforma muda o imposto do serviço — planeje antes de setembro de 2026. Foto: Pexels.

Resposta rápida

Em 2026, a reforma tributária está em fase de teste: o IBS e a CBS aparecem nas notas com alíquotas simbólicas (0,1% e 0,9%), mas empresas do Simples Nacional e MEI estão dispensadas de destacar esses tributos. O Simples foi mantido. A decisão que realmente importa para clínicas, salões e profissionais liberais é até setembro de 2026: escolher se, em 2027, continuam no Simples ou passam a recolher IBS e CBS por fora. Profissões regulamentadas (médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta, advogado, arquiteto, engenheiro) ainda têm redução de 30% na alíquota.

Se você tem uma clínica, um salão de beleza, um consultório ou trabalha como profissional liberal, provavelmente já ouviu que "vem aí uma mudança nos impostos" — e ficou na dúvida se precisa fazer algo agora. A resposta curta é: em 2026 quase nada muda no seu bolso, mas há uma decisão importante a tomar até setembro. Vamos explicar de forma simples o que é a reforma, o que muda para o seu setor e o que você precisa decidir.

O que é a reforma tributária, em uma frase?

A reforma junta cinco tributos sobre consumo (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) em dois novos: a CBS (federal) e o IBS (estados e municípios). Juntos, eles formam o chamado IVA dual. O objetivo é simplificar e acabar com a "guerra fiscal". A troca é gradual e vai de 2026 até 2033 — ninguém acorda amanhã pagando tudo diferente.

O que muda em 2026? (spoiler: pouca coisa na prática)

2026 é um ano de teste. Na prática:

Ou seja: se a sua clínica ou salão está no Simples (a maioria está), a sua rotina de nota fiscal e o valor do imposto seguem praticamente iguais em 2026. Quem sente o peso operacional agora é quem está no Presumido ou Real.

O Simples Nacional não vai acabar. Ele foi mantido pela reforma (Leis Complementares 214/2025 e 227/2026), com a guia única (DAS). O que muda é a opção que você passa a ter a partir de 2027.

A decisão que importa: continuar no Simples ou não (até setembro de 2026)

Aqui está o ponto central. Empresas do Simples e MEI têm até setembro de 2026 para decidir como vão recolher em 2027:

  1. Continuar 100% no Simples — paga tudo dentro do DAS, como hoje.
  2. Ficar no Simples, mas recolher IBS e CBS "por fora" — permite gerar crédito desses tributos para o cliente que é pessoa jurídica.

Parece técnico, mas a decisão se resume a uma pergunta simples: quem paga a sua conta?

Seu cliente é…O que costuma valer mais a penaPor quê
Pessoa física (paciente particular, cliente do salão)Continuar 100% no SimplesPessoa física não aproveita crédito. Gerar crédito não traz vantagem e só aumentaria a sua carga.
Empresa / convênio / plano (B2B)Avaliar recolher IBS e CBS por foraSua cliente PJ passa a tomar crédito do imposto, o que te torna mais competitivo na negociação.
Misto (particular + convênio)Fazer a conta caso a casoDepende da proporção. É exatamente aqui que um planejamento evita pagar imposto a mais.

Orientação geral. A escolha ideal depende da sua realidade e deve ser calculada.

E os profissionais liberais? Existe desconto

Boa notícia para quem tem profissão regulamentada por conselho. As chamadas profissões intelectuais — médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, advogado, arquiteto, engenheiro, entre outras — têm direito a uma redução de 30% na alíquota do IBS e da CBS no novo sistema. É um alívio importante para quem presta serviço e tem pouca despesa para gerar crédito.

Como fica por tipo de negócio

Clínicas e consultórios

Se você atende particular, o Simples com Fator R (Anexo III) tende a seguir sendo o melhor caminho. Se boa parte do faturamento vem de convênios e empresas, vale simular o recolhimento de IBS/CBS por fora para 2027. Clínicas com estrutura hospitalar ainda podem se beneficiar de regras específicas do setor.

Salões de beleza e estética

Salão vende quase sempre para o consumidor final (pessoa física). Nesse caso, continuar no Simples costuma ser o mais vantajoso. A Lei do Salão-Parceiro segue valendo, e o Fator R continua sendo a principal ferramenta para pagar menos imposto sobre a folha.

Profissionais liberais (PJ)

Quem já é PJ com Fator R e atende pessoa física mantém a lógica atual, agora com a redução de 30% no novo sistema. Quem atende empresas deve rodar a conta antes de setembro de 2026.

Não decida no escuro

A gente calcula, para o seu caso, se vale continuar 100% no Simples ou recolher IBS e CBS por fora em 2027 — e deixa você pronto para a mudança sem pagar imposto a mais.

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Perguntas frequentes

A reforma tributária vai acabar com o Simples Nacional?

Não. O Simples Nacional foi mantido pela reforma (Leis Complementares 214/2025 e 227/2026), com a guia única (DAS). O que muda é que, a partir de 2027, quem está no Simples poderá escolher entre continuar no regime ou passar a recolher o IBS e a CBS "por fora" para gerar crédito a clientes pessoa jurídica.

Clínicas e salões já pagam IBS e CBS em 2026?

Não de forma efetiva. 2026 é um ano de teste, com alíquotas simbólicas (CBS 0,9% e IBS 0,1%). Empresas do Simples Nacional e MEI estão dispensadas de destacar o IBS e a CBS nas notas em 2026. A cobrança cheia só começa a valer gradualmente a partir de 2027.

Profissionais liberais têm desconto na reforma tributária?

Sim. Profissões intelectuais regulamentadas por conselho — como médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, advogados, arquitetos e engenheiros — têm direito a uma redução de 30% na alíquota do IBS e da CBS no novo sistema.

Preciso decidir alguma coisa em 2026?

Sim. Empresas do Simples Nacional e MEI têm até setembro de 2026 para optar se, em 2027, continuam no regime favorecido ou passam a recolher IBS e CBS pelo sistema regular. A escolha certa depende de quem são seus clientes (pessoa física ou empresa).